As árvores tombaram, as casas ficaram esventradas, os postes caíram, a eletricidade falhou, tal como a água e as comunicações. Depois, chegaram os voluntários. Que seria daquela gente sem eles? O vento não levou tudo. Ficaram as pessoas

É com as pessoas que se fazem todas as histórias. E o que pode ser escrito sobre o dia 28 de janeiro tem muitas assinaturas, milhares… 

Estas páginas da revista Olhares têm sido destinadas a sugerir visitas, passeios e soluções de bem-estar. Desta vez não será assim. Nesta edição decidi que era preciso lembrar que há uma região ao Centro, que é muito mais do que um território. 

Só em Leiria terão caído 8 milhões de árvores. Quem voltará a plantar o Pinhal? Quem irá erguer aquelas pessoas. Não me sai da cabeça a frase: ”Não conseguir salvar um filho é das coisas piores para um pai”. Para o senhor Fernando a tempestade Kristin nunca irá terminar. 

Claro que uns tiveram “mais sorte” do que outros. Parece que o vento avançou assim, a talhe de foice, sabendo qual a direção que deveria tomar. Levando tudo de um lado e poupando do outro.

Nesse dia e nos seguintes, o país não parou. 

Houve alguns que se atreveram e mexeram-se demais: os voluntários. Foram eles que nos mostraram como se ergue uma região. Que orgulho! Não trouxeram só as telhas, o fio que ligava à eletricidade, a água que faltava, as portas, os cobertores… Também levaram abraços. Ofereceram os braços de trabalho, mas também o tempo para ouvir as muitas histórias, venturas e desventuras que cada um tem para contar. Ainda há feridas por curar.

A vida de uns seguia normalmente e a de outros estava parada desde o dia 28 de janeiro. Os telhados ainda estavam despidos e chegou mais uma prova de resistência. A água que faltava a uns, teimava em ser demais para outros, foram mais uns dias de sobressalto. Levantaram-se os móveis, fecharam-se estradas, desmoronaram outras, e pusemos os corações ao alto. Depois do vento com o diabo no ventre, foi a água que fez outra demonstração de poder!

 Ainda é tempo de remediar. Vem aí o verão, as férias, os fins-de-semana prolongados. Visitem o Centro, conheçam quem cá mora. Desenganem-se se pensam que são apenas uns pobres pacóvios que levaram com vento e água a mais. Não acreditem em tudo o que vos contam. Vejam cara a cara; frente a frente. É assim que se controlam as fake news.

O vento não levou tudo. Ficaram as pessoas e as novas oportunidades.

No site do Turismo do Centro, diz-se que este é um destino em que “aqui nunca é demais”. O dia 28 de janeiro foi demais e os dias que se seguiram também revelaram excessos. 

Hoje, só posso recomendar que venham ao Centro. Apreciem como se reconstrói um território. Há aqui histórias diferentes e pessoas que recebem de braços abertos quem vier por bem. A reconstrução está em marcha.

Conceição Abreu

(imagem retirada de https://turismodocentro.pt/)

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