A Via Verde perdeu a cor e as evidências provam que muitos doentes estão a chegar tarde demais. Não podemos deixar de tratar as outras doenças e, para que isso aconteça é necessário acordar do confinamento e abrir as portas ao diagnóstico e tratamento do que não pode esperar…

Vivemos tempos de mudança, agora mais com a noção de que somos vulneráveis e não devemos quebrar o equilíbrio que nos permite habitar este mundo numa posição dominante e confortável. Vamos a tempo de arrepiar caminho. 

Temos que ser solidários e respeitar a natureza e o ambiente e proteger os mais vulneráveis, lutando pelos nossos Pais e Avós, com a mesma determinação com que protegemos os mais jovens. 

Ser médico ou profissional de saúde é ajudar, estar presente mesmo em situações de risco e fazer o nosso melhor de acordo com a experiência adquirida e com os dados científicos disponíveis. Da mesma forma que enfrentámos com determinação a pandemia, sabemos que não podemos deixar de tratar outras doenças. É necessário acordar deste confinamento e abrir as Instituições de Saúde para diagnosticar e tratar doenças que também não podem esperar.

Existe cada mais a evidência que doenças graves foram deixadas para trás numa corrida em que o tempo é cérebro. Falamos por exemplo no Acidente Vascular Cerebral, em que, de acordo com as evidências disponíveis, a Via Verde perdeu cor e o trajeto do doente, desde o diagnóstico até ao Hospital de referência para Patologia Cérebro-Vascular Aguda, sofreu um revés de tal modo significativo que muitos destes doentes já chegam tarde de mais. 

Existem outras doenças neurológicas que beneficiam com o diagnóstico precoce, como a Esclerose Múltipla que é uma doença inflamatória crónica que afeta o Sistema Nervoso Central, evoluindo maioritariamente por surtos. O diagnóstico precoce e o tratamento do processo inflamatório são fatores decisivos no controlo de uma doença que afeta habitualmente os mais jovens.

Hoje, as instituições públicas e privadas adotaram medidas de proteção dos utentes e profissionais que são benéficas, uma vez que vieram reforçar a confiança e segurança de todos, para que o tempo de espera para um diagnóstico não seja tarde de mais…

Egídio Machado
(Médico, Neurorradiologista)

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