Hoje, não nos passa pela cabeça ir colher casca de salgueiro e preparar a infusão necessária para extrair a salicina na dose q.b., só porque precisamos de tomar uma aspirina, pois não?
Um século de estudos, investigação, testes e ensaios separa estas duas realidades. Hoje, sabemos controlar a dose certa para o efeito terapêutico pretendido. A ciência evita que se morra da cura.

Com o uso alargado da Internet, uma parte da população passou a ter acesso à investigação cientifíca que se vem desenvolvendo na pesquisa de mais e melhores medicamentos.No entanto, isto permite a pessoas sem escrúpulos e sem conhecimentos suficientes, começar a vender determinadas plantas com potencial terapêutico.

Este processo, além de ser extremamente perigoso, é um regresso total às origens, uma vez que voltamos a ter no mercado (absolutamente ilegal) uma série de produtos sem qualquer controlo de qualidade e sem possiblidade de saber quais os efeitos secundários.

Quanto mais grave é a doença mais complexo e agressivo é o tratamento e crucial monitorização do mesmo. Por exemplo, a Vinorelbina é um alcalóide extraído da planta Vinca rosea, o Paclitaxel e outros medicamentos similares são derivados de compostos extraídos do Teixo e a Combrestastatina foi estudada e desenvolvida a partir do Combretum caffrum L.

Estes são apenas exemplos. Dada a sua elevada atividade terapêutia não podem ser usados diretamente da planta, pois não é possivel controlar a dose que se utiliza e o elevado risco de toxicidade pode conduzir à morte. Assim, os constituintes ativos quer estejam isolados, quer em concentrados padonizados para que exerçam a sua atividade, devem ser uados com o máximo rigor e com o minímo de interferências.

Voltar a usar “produtos naturais” em regime “tentativa/erro”, é uma profunda regressão em tudo o que conseguimos validar cientificamente. Todo e qualquer produto usado para tratar deve ser preparado e administrado segundo a legislação vigente, o que obedece a um rigoroso controlo de qualidade salvaguardando a saúde pública.

Maria da Graça Campos
(Professora na Faculdade de Farmácia da UC)

 

Para ler o artigo na íntegra consulte a Revista Olhares

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