
O transplante de córnea é uma “janela” que se abre para permitir a entrada de luz e criar uma nova oportunidade na visão. A córnea pode ser substituída total ou parcialmente, quando está opaca ou deformada e as taxas de rejeição são baixas, desde que não existam vasos sanguíneos.
Se entendermos a córnea como um tecido transparente que tem a missão de deixar passar a luz e que ajuda a focar as imagens, percebemos mais facilmente por que razão se coloca como hipótese o transplante de córnea. Quando a curvatura da córnea é alterada ou quando este tecido se torna opaco, a capacidade de visão fica comprometida.
São várias as razões que podem levar à necessidade de um transplante de córnea – total ou parcial. A transparência e a curvatura da córnea podem sofrer alterações que inviabilizam a visão. Infecções por fungos, bactérias e vírus podem deixar cicatrizes, edema da córnea, queimaduras químicas, doenças da córnea que a tornam opaca, perfurações com objectos pontiagudos, alterações degenerativas e o queratocone.
A solução para o problema pode passar pelo transplante, substituindo esta espécie de janela, por um novo tecido transparente, reconstruindo o que está a impedir a entrada de luz. As córneas existentes para transplantes estão num Banco de Olhos, onde se zela pelo cumprimentos das normas legais e aplicação dos protocolos vigentes para que a córnea a transplantar esteja nas melhores condições.
O dador deve ser uma pessoa saudável e de preferência jovem, uma vez que algumas rejeições ocorrem porque a córnea dadora pertenceu a uma pessoa com idade avançada. Os estudos de histocompatibilidade entre dador e recetor asseguram que os casos de rejeição continuem a ser raros, uma vez que a córnea não possui irrigação sanguínea própria, pelo que as células do sistema imunitário que circulam no sangue não chegam (em grande número) à córnea transplantada.
Isto faz com que, neste caso, a rejeição seja muito menos provável do que na transplantação de um órgão com uma abundante circulação sanguínea. Também ao invés de outros transplantes, no caso da córnea a cirurgia demora, apenas, cerca de uma hora. Os olhos recuperam a transparência mas podem demorar meses até à adaptação da nova córnea estar finalizada.
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FIZ UM TRANSPLANTE DE CÓRNEA NO ANO DE 2002 MAS NÃO FIQUEI COM UMA VISÃO NORMAL CONSULTEI UM MÉDICO QUE ME ACONSELHOU A COLOCAR UMA LENTE ,COLOQUEI A LENTE EM 2004 FIQUEI COM UMA VISÃO DE 65% SÓ QUE AGORA NOTO QUE A VISÃO ESTÁ FICAR OPACA . TEREI QUE FAZER OUTRA TRANSPLANTE DE CÓRNEA?
ReplySE FOR POSSÍVEL ESTE TRANSPLANTE TEM A COMPARTICIPAÇÃO SNS SENDO REALIZADO NO CENTRO CIRÚRGICO?
Pela descrição que faz e sem uma observação clínica, é difícil responder à questão que coloca, sobre a necessidade ou não de fazer novo transplante de córnea. Contudo, a opacidade que refere é um indicador de que algo pode não estar bem. O Centro Cirúrgico de Coimbra tem médicos especialistas a trabalhar na área do transplante de córnea mas, esta intervenção não é comparticipada pelo SNS.
ReplyObrigado pela vossa atenção e esclarecimento.
ReplyBoa noite, há pouco tempo descobrimos que o meu irmão tem um grave problema de visão. Com a realização de exames específicos ficámos a saber que a córnea tem uma curvatura em cone, que ao longo do tempo vai agravando e pode até ficar totalmente cego. Com a realização de um transplante há a alguma hipótese? Obrigada desde já.
ReplyPara a situação que descreve há várias hipóteses de tratamento. O transplante de córnea será o último recurso. Deverá marcar uma consulta de avaliação do Prof. Rui Proença. Siga este link https://www.ccci.pt/doctor/rui-daniel-proenca/
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