Já que não é possível uma prevenção primária do cancro da mama há que tentar detetá-lo de forma precoce, antes de haver qualquer sintoma da doença. As imagens são fundamentais na deteção de alterações

Mamografia, ecografia mamária e ressonância magnética (RM) usam diferentes princípios na aquisição de imagem (Raios X; ultra-sons e campo magnético), mas todas se complementam na abordagem mamária. 

A mamografia é o exame mais conhecido e o único que está reconhecido para rastreio de grandes populações. Em Portugal, este rastreio é feito na maioria do território organizado pela Liga Portuguesa contra o Cancro, através de unidades móveis (equipadas com mamógrafo) que levam este exame até próximo das mulheres. Permite detetar lesões de reduzidas dimensões, muitas vezes de poucos milímetros. No entanto, tem algumas limitações que se prendem – por um lado – com o uso de radiação X, pelo que se desaconselha o seu uso em mulheres jovens e, por outro lado, a densidade mamária. Algumas mulheres têm mamas mais densas que podem ocultar pequenos tumores. Aqui a Tomossíntese ou mamografia 3D (que mostra muitos planos diferentes da mama em vez de um só) e a inteligência artificial podem dar alguma ajuda.  

A ecografia não utiliza radiação ionizante, é por isso o principal exame de abordagem da mulher jovem. É também um excelente complemento da mamografia nas mamas densas e na caraterização de lesões observadas na mamografia. Mas a ecografia não substitui a mamografia. Na maioria dos casos é da avaliação conjunta destes exames que se consegue uma avaliação mais completa.

A RM (geralmente feita com contraste) é de extrema importância em algumas situações específicas, como no estadiamento de cancros, na avaliação da resposta a tratamentos, no estudo de próteses e no rastreio de mulheres com alto risco de cancro da mama. Não deve contudo ser usada indiscriminadamente já que, apesar de ter uma sensibilidade alta na deteção de cancro, assinala muitas vezes alterações que não são patológicas.

Há que ter em conta que o rastreio de cancro da mama é dirigido a mulheres sem qualquer sintoma. Se existe alguma queixa, a mulher deverá ser encaminhada para fazer exames de diagnóstico. A escolha de cada exame depende de vários fatores como a idade, os sintomas, resultados de exames anteriores e do risco individual de cada doente. E os exames têm de ser integrados no contexto clínico.

Sempre que uma lesão é detetada num destes exames e as suas características o impõem, será necessário fazer uma biopsia para confirmar o diagnóstico. Mais uma vez, a imagem é fundamental para orientar a colheita, sempre que possível através de ecografia, que permite de forma muito mais cómoda para a doente, a obtenção em tempo real do material suspeito. 

A qualidade do diagnóstico depende da escolha adequada dos exames e o seu resultado deverá sempre ser integrado com a clínica e o resultado da anatomia patológica. Mas o papel da radiologia não se fica pelo diagnóstico. Uma vez que a maioria das lesões operadas não se palpam, há que guiar o cirurgião na excisão das lesões. Será preciso colocar um marcador na lesão: arpão (pequeno gancho metálico) ou semente, que através de diferentes processos (ondas de radar, radiofrequência ou magnéticas) é identificada na sala de operações, conduzindo o cirurgião ao alvo. E, por fim, radiografa-se a peça operatória para confirmar a excisão. 

Em Portugal o cancro da mama é o cancro mais frequente entre as mulheres. Já que não é possível uma prevenção primária do cancro da mama, há que tentar detetá-lo de forma precoce, antes de haver qualquer sintoma da doença, de modo a permitir um tratamento mais favorável com melhor sobrevida e com melhor qualidade de vida para a mulher.

Manuela Gonçalo
(Médica, Radiologista; OM n.º 29736)

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