Cria-se uma relação ativa entre um implante em titânio e o tecido ósseo do crânio. As vibrações transformam-se em sinais acústicos e o som é transmitido pelo osso craniano, sem passar pelo ouvido externo e médio. O processo de osteo-integração é mais uma resposta da medicina e da técnica para corrigir o estado de surdez

O processo de osteo-integração tem alcançado um comprovado sucesso e, hoje, quase que se banalizou. Devido ao material utilizado e configuração da porção implantada, verifica-se uma migração das células ósseas para a superfície do implante em titânio, que é interpretado como material biológico, compatível e sem reações indesejáveis. No implante usado para a deficiência auditiva, aos benefícios desta interatividade junta-se ainda a capacidade de as vibrações se transformarem em sinais acústicos. Fica assim explicado o modelo de funcionamento da prótese auditiva osteo-integrada.

Este tipo de prótese auditiva tem uma componente interna, que é necessário implantar cirurgicamente no osso e atrás do ouvido. É esta pequena peça em titânio que vai permitir a audição por condução óssea direta, sem passar pelo ouvido externo e médio, fazendo com que o som chegue diretamente à cóclea. No exterior, um pequeno aparelho eletrónico, removível e que encaixa na componente implantada, converte o som que é captado pelo microfone em vibrações acústicas, que são conduzidas pelo osso craniano.

A avaliação pré-cirúrgica terá em conta diversos fatores e, além da questão audiológica, que implica uma caracterização do grau e tipo de surdez, é necessário ter em conta os fatores psicológicos da pessoa candidata a uma prótese auditiva osteo-integrada. É necessário adequar as expectativas do doente à sua real situação clínica, de acordo com o seu perfil de inteligência e de personalidade, fatores sociais e profissionais, ajustar a adaptação da reabilitação no contexto laboral e familiar, sem descurar os fatores estéticos, considerados fundamentais para o equilíbrio psicológico e integração social da pessoa surda com prótese auditiva. A equipa necessita ainda de confirmar se terá todo o empenho necessário da pessoa surda no processo de reabilitação. Terminada a avaliação pré-cirúrgica com sucesso, este é também o momento em que é possível fazer uma simulação (com uma banda externa), que permite perceber o benefício esperado com a prótese implantada, o que melhora o processo de decisão.

Uma vez realizada a cirurgia e implantada a peça de titânio, é necessário esperar quatro a seis semanas para dar início ao processo de programação da prótese e que passa pela aplicação da componente externa, ou seja, o processador eletrónico que converte o som captado em vibrações acústicas, que são transmitidas ao ouvido interno em tempo real. O som é devolvido a quem o perdeu.

Esta é uma técnica que tem tido aperfeiçoamentos constantes, de ano para ano, garantindo resultados cada vez mais positivos na recuperação de audição. O Centro Cirúrgico de Coimbra foi o local escolhido para a aplicação desta prótese num indivíduo adulto e com uma surdez de longa data. Luís Filipe Silva e Paulo Enes foram os cirurgiões responsáveis. O trabalho de programação e de recuperação é da responsabilidade dos audiologistas Vítor Tomé, Sofia Milheiros e João Januário.

 

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