Espreguiçar, pentear ou abrir a porta de um armário mais elevado são gestos que passam a ser “proibidos”. A artrose do ombro degenera a articulação e este conflito tanto pode acontecer em pessoas com mais de 60 anos, como em jovens

A alteração começa com o desgaste da cartilagem articular, erosão óssea da superfície articular, diminuição do espaço articular e formação de osteófitos (“bicos de papagaio”). A destruição da cartilagem articular aumenta o atrito da articulação durante a mobilização do ombro, conduzindo à inflamação com consequente dor e limitação da mobilidade do ombro. Ficam assim criadas as condições para a artrose do ombro ou omartrose, uma doença degenerativa da articulação do ombro. 

Causas da artrose

A artrose do ombro é menos comum do que a artrose do joelho e da anca, estima-se que 1 em cada 3 pessoas com idade superior a 60 anos têm algum grau de artrose do ombro. Mas, os trabalhadores manuais e os desportistas têm igualmente um risco aumento de desenvolver omartrose. As causas podem ser primárias ou secundárias. 

A omartrose primária não tem uma causa específica, está relacionada com a idade, o sexo e a genética. Normalmente atinge pessoais com idade superior a 50 anos e é mais frequente em mulheres. A omartrose secundária tem uma causa identificada, quer seja, um antecedente traumático, história de luxação/ instabilidade do ombro, roturas da coifa dos rotadores, necrose avascular da cabeça do úmero (interrupção da vascularização da cabeça do úmero) e artrite reumatoide.

Sintomas e diagnóstico

As queixas dos doentes incluem mais frequentemente a dor e a limitação da mobilidade do ombro. A dor agrava com atividades no plano acima do ombro e pode haver uma componente de dor noturna importante. A tendência é o agravamento da dor ao longo do tempo.

A limitação da mobilidade do ombro e a rigidez podem tornar difíceis atividades do dia-a-dia, como por exemplo, lavar o cabelo, pegar em pesos ou tão só espreguiçar.

Por vezes os doentes também se queixam de crepitação – “estalidos” ou “ranger” da articulação.

O diagnóstico é realizado através de um exame clínico com apoio de exames complementares de diagnóstico – radiografia, TC e RMN.

Tratamento:

O tratamento inicial da artrose do ombro inclui medicação analgésica e anti-inflamatória via oral. Também podem ser realizadas infiltrações intra-articulares que permitem um alívio temporário da dor. Em estádios iniciais, a fisioterapia também pode ter um papel importante reforçando a musculatura da coifa dos rotadores e ajuda no controlo da dor.

Quando a doença avança a cirurgia pode ser uma opção. A prótese ou artroplastia do ombro é uma solução que permite controlar a dor e melhorar a amplitude articular. Existem diferentes tipos de próteses de ombro – próteses anatómicas, próteses invertidas, hemiartroplastias – que variam de acordo com o tipo de artrose, a gravidade da mesma e a idade do doente.

Catarina Quintas
(Médica, Ortopedista)

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