O cheiro aromático é forte, mas este não será um aroma para todos os gostos, ou se adora ou se detesta. Admite-se que a perceção que cada um tem deste aroma pode ser genética

Os coentros já são cultivados há mais de três mil anos e, antes de serem usados como tempero, eram apenas uma planta medicinal. Os egípcios recorriam a ela, atribuíam-lhe propriedades digestivas e calmantes, outros usavam-na em pasta para o alívio de dores nas articulações. Os romanos misturavam coentros com vinagre para conservarem a carne, os chineses atribuíam-lhe o poder da imortalidade e, na Idade Média, este era um dos ingredientes obrigatório em qualquer poção de amor.

Em algumas zonas da Europa, atribuem-lhe propriedades antidiabéticas, na Índia acreditam que os coentros têm características de antinflamatório e, mais recentemente, nos Estados Unidos começaram estudos para avaliar o poder dos coentros como um redutor do colesterol. Cientistas portugueses também trazem novos olhares a esta erva aromática e a revista científica Journal of Medical Microbiology já publicou um estudo feito no nosso país que demonstra que o óleo de coentros pode tornar-se uma alternativa natural aos antibióticos.

Nada acontece por acaso. Hoje, sabe-se que os coentros são uma erva aromática com um conteúdo excecional de fito-nutrientes, aquilo que agora se designa como uma nova classe de nutrientes, não entra nas vitaminas, nem é um mineral, mas será uma importante fonte de nutrientes naturais e uma forte proteção alimentar. Os coentros acabaram por ganhar um lugar em ementas da chamada dieta mediterrânea. Em Portugal, os alentejanos não a dispensam, mas no Norte do país esta ainda é uma erva quase ignorada. Combina com pratos de marisco e caldos de peixe, mas também é usado em sopas e saladas. É um parente da salsa, mas mais rico e mais aromático. Tem pigmentos orgânicos (carotenos – essenciais para a vida humana), sais minerais, vitaminas B e C, e ferro.

Além das eventuais potencialidades medicinais que, hoje, estaremos a negligenciar, os coentros são um dos aromas que fazem, decididamente, a diferença em alguns pratos de culinária. A sopa alentejana teria de ser reinventada, tal como as conquilhas na sertã e os pezinhos deixariam de ser de coentrada. Na culinária, há uma era AC e DC. Como em tudo na vida, use em doses q.b.

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