É a esta pergunta que o eletroencefalograma responde. O registo de toda a atividade elétrica cerebral (esteja a dormir ou acordado) é utilizado para monitorizar doenças e para confirmar diagnósticos. A epilepsia é um caso, tal como os distúrbios do sono, mas há mais

Todo o tipo de anormalidade que possa envolver a atividade cerebral é confirmada pelo registo de um eletroencefalograma (EEG). E este é um exame sem qualquer contraindicação, independentemente da idade ou patologia, completamente indolor e não invasivo. Basta a aplicação de uns quantos elétrodos no couro cabelo, ligados ao equipamento certo, para começar a perceber as ondas cerebrais traduzidas num traçado. A análise da atividade elétrica do cérebro, ali descrita em ondas cerebrais de quatro tipos de frequência (alfa, beta, teta e delta), permite ao médico especialista retirar inúmeras conclusões e inferir um diagnóstico.

São vários os distúrbios cerebrais que podem justificar alterações do EEG. Este é especialmente importante para o diagnóstico de epilepsia mas também em situações diversas de alterações de consciência, demência, distúrbios do sono, alguns processos infeciosos e tóxicos (com ou sem medicação) e em doenças psiquiátricas. Não raras vezes, o eletroencefalograma também é um exame que pode ser usado para o diagnóstico de morte cerebral e grau de coma.

No EEG, a frequência corresponde ao número de vezes que um mesmo sinal se repete a cada segundo, registando-se também variações de amplitude. Mesmo em pessoas saudáveis, ocorrem variações de acordo com o estado do organismo. Isso acontece porque o cérebro funciona de modo diferente quando estamos acordados, concentrados, sonolentos ou em sono profundo. E por isso o exame pode ser feito em período de vigília ou em período de sono. 

A atividade elétrica registada é diferente, no caso de estarmos acordados, até porque a pessoa sob o exame eletroencefalográfico pode contribuir diretamente, cumprindo as instruções que são dados, como abrir e fechar os olhos, respirar repetidamente (Hiperpneia) e ser sujeita a outros estímulos, que ajudam a aumentar a sensibilidade do exame (tal como a estimulação luminosa a diversas frequências).

As ondas fisiológicas do sono são muito diferentes da vigília, com um padrão de frequência e amplitude, que traduz a normalidade e permite classificar o sono em diversos estadios. A desorganização ou o aparecimento de ondas diferentes irão traduzir-se em anormalidade.

O sono é um facilitador da ocorrência de muita atividade anómala. Assim, esta análise em sono, serve para complementar as alterações em vigília ou para despistar essas alterações, se não forem registadas em sono. Há também patologias específicas que só ocorrem em sono, como algumas epilepsias e as patologias do próprio sono. O EEG em vigília é o tipo de exame mais comum e também o mais rápido (30 minutos). O EEG que se destina a avaliar o sono, pode ser realizado durante uma sesta de 2 horas em regime de 12 horas ou, se for caso disso, durante 24 horas (este último em regime hospitalar). Todos os exames têm ainda um registo dedicado ao eletrocardiograma.

Isabel Luzeiro
(Médica, Neurologista e Neurofisiologista com Competência em Medicina do Sono)

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