Trabalha-se o medo e a insegurança pelo desconhecido e o doente revela satisfação. A COVID-19 foi um impulso para reformular a consulta pré-operatória de enfermagem

Não é de agora, desde sempre que o Centro Cirúrgico de Coimbra reconheceu que a capacitação e o envolvimento do doente nos cuidados pré-operatórios traduzem uma mais-valia, em matéria de prevenção de risco e de confiança. A equipa de enfermagem sempre entendeu a necessidade de combater o medo e a insegurança pelo desconhecido e por isso recorria ao que se designa de consulta pré-operatória de enfermagem. 

Este contato não implica necessariamente uma presença física mas, desde logo revelou ser muito eficaz a conversa que a equipa de enfermagem estabelecia com o doente em situação pré-operatória. O momento é íntimo e costuma ser usado para informar como são planeados os cuidados, mas também para dissipar dúvidas que o doente sempre tem e, simultaneamente, para dar as melhores informações sobre cuidados higiénicos, terapêutica, alimentação e/ou análises/exames de diagnóstico.

O SARS-CoV 2 não veio tirar crédito a este contato, muito pelo contrário. A equipa de enfermagem deu-lhe outra dinâmica e reforçou a informação ao doente. Os cuidados de prevenção da COVID-19, a informação sobre visitas e acompanhantes, a necessidade de o doente eleger uma pessoa de referência e a explicação do funcionamento do teste de rasteio de SARS-CoV 2 vieram enriquecer uma prática e reforçar a necessidade desta consulta de enfermagem, no apoio ao doente que acaba por ter um acréscimo de ansiedade e medos, por ser operado em situação de pandemia. Esta foi uma prática que readaptámos em maio de 2020 e que, passados estes meses, contatamos que se revelou num aumento de satisfação dos doentes aqui intervencionados. 

Simultaneamente, a abordagem a estas novas questões revelaram-se ainda essenciais para a instituição na gestão e controlo da infeção por COVID-19, sendo certo que, para o doente, o momento de transição e de separação da família, deixaram de ser momentos de um aumento de receio e ansiedade.

A readaptação da consulta pré-operatória de enfermagem não implicou um acréscimo financeiro, nem tão pouco um reforço de recursos humanos ou a mudança de foco. O doente continua a ser o centro da atenção, mas a informação que agora se disponibiliza está, antes de mais, dirigida para a segurança e para o controlo de ansiedade. O inesperado e o desconhecido são substituídos por informação e explicação de como tudo se passa, sem esquecer que esse mesmo doente, tem uma família e amigos que, lá fora, aguarda informação e também estão em ansiedade.

A adaptação da metodologia revelou ser eficaz na satisfação do doente e a equipa de enfermagem do Centro Cirúrgico de Coimbra decidiu dar conta disso na comemoração do Dia do Enfermeiro do Bloco Operatório, Celebrado Mas, não fique a pensar que, mesmo sabendo que tudo corre bem, e que o doente já teve alta clínica e seguiu para casa, deixamos de ter interesse. 

Os nossos cuidados e atenção mantêm-se, por isso não estranhe se 3 a 4 dias depois da cirurgia um enfermeiro do Centro Cirúrgico lhe telefonar só para saber se está mesmo tudo bem, se tem dúvidas ou se necessita de algum conselho. A consulta de enfermagem pós-operatória é isto que faz e, se houver necessidade, será criada uma nova ponte de ligação entre doente e cirurgião ou entre doente e enfermeiro.

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