Ou porque o músculo estica demais, ou porque houve pressão excessiva ou uma força violenta a atuar sobre a articulação, o joelho é das articulações que mais sofre. A prática desportiva, principalmente de competição, é o cenário onde as lesões são mais frequentes.

Com a crescente prática desportiva, muitas vezes de competição, assistimos a um número crescente de acidentes desportivos. Sem dúvida que o membro inferior é o mais afetado e o joelho a articulação mais queixosa. Dentro das lesões desportivas do joelho destacam-se as do menisco e as lesões dos ligamentos. A maioria destas ocorre por um entorse do joelho ou por traumatismo direto.

Na maioria das situações, é necessária a reparação destas lesões para o retorno pleno à atividade desportiva. A cirurgia é realizada por via artroscópica, isto é, recorrendo a uma técnica que usa uma lente ligada a uma câmara para visualizar as lesões dentro da articulação. É uma técnica mini invasiva e que, por isso, permite uma recuperação mais rápida do doente. São usados apenas 2 ou 3 portais (incisões operatórias) cada um com cerca de 5 milímetros.

É através destes portais que se insere a lente com uma câmara de filmar, que permite visualizar o interior do joelho num monitor de televisão. Através dos outros dois portais são introduzidos instrumentos especialmente concebidos para o tratamento das lesões, sem que as zonas circundantes sejam minimamente afetadas por esta intervenção. A recuperação de uma cirurgia ao joelho depende sobretudo das lesões encontradas. Se uma simples cirurgia ao menisco pode necessitar de 2 a 3 semanas para uma recuperação quase completa, já uma plastia do ligamento cruzado anterior demora pelo menos 3 meses para o reinício do treino de corrida.

Outra articulação frequentemente afetada é ainda o tornozelo. São bastante frequentes os entorses do tornozelo, lesões que, na sua maioria, são passiveis de tratamento conservador, isto é, que curam por si, sem ser necessário uma cirurgia. No entanto existem casos de entorses de repetição, em que os ligamentos do tornozelo, após diversos episódios, ficam demasiado laxos e, por isso, deixam de desempenhar corretamente a sua função.

Nestas situações é muitas vezes necessária a correção cirúrgica. Outro problema que pode ocorrer é a libertação de fragmentos de cartilagem/osso para o interior da articulação, gerando o que se chama o corpo livre articular. Estas são situações que obrigam à remoção cirúrgica destes fragmentos e muitas vezes à reparação das lesões da cartilagem subjacentes. Nos futebolistas é muito comum o surgimento de uma proeminência óssea dolorosa na vertente anterior do tornozelo. Esta lesão é muitas vezes limitativa para a prática desportiva e pode ser removida por via artroscópica (síndrome de conflito anterior de tornozelo).
Pedro Marques
(médico ortopedista)

Para ler este artigo na íntegra consulte a Revista Olhares

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