É a dimensão micra que gere toda a oftalmologia, mas não é o tamanho que impede de conhecermos o interior do olho humano. Os exames de diagnóstico contam-nos todas as histórias e, não raros casos, ajudam-nos a antecipar o futuro

Tomografia de coerência ótica de um segmento de 6mm na zona central da mácula
Tomografia de coerência ótica da mácula de um olho “normal” e outro com patologia retiniana

Foque a sua atenção num milímetro, enquanto unidade de comprimento do sistema métrico. Agora, imagine dividir esse mesmo milímetro em mil partes. Pois bem, é assim que entramos na dimensão micra, a medida que gere toda a oftalmologia, seja dos instrumentos cirúrgicos, seja dos detalhes captados nos exames de diagnóstico.

É a pupila que permite essa porta de entrada e, uma vez lá dentro, é possível diagnosticar a funcionalidade daquele olho ou corrigir o que pode ser corrigido. Pouco ou nada escapa aos equipamentos de diagnóstico, hoje disponíveis para o apoio à especialidade de oftalmologia.

O fundo do olho torna-se acessível e é reproduzido em fotografias de grande resolução que nos ajudam a descodificar as dúvidas, a construir diagnósticos e a permitir acompanhar a evolução da situação clínica com documentação segura.

Retinografia e tomografia de coerência ótica do nervo ótico

Como se pode avaliar adequadamente a visão? A maior parte das pessoas ainda acredita que basta mudar as lentes e tudo melhora, mas nem tudo fica resolvido com uma consulta de “óculos”. Claro que é importante saber qual a acuidade visual e, quando dizemos que tem uma visão de 10/10 é bom, mas não é tudo. Ou seja, ter uma visão de 10/10 apenas indica que consegue ler a escala, mas não significa que essa visão seja nítida, focada, com as cores reais ou com o contraste certo. Nem tão pouco exclui a possibilidade de ter uma doença assintomática, que pode levar à perda de visão no futuro.

O médico oftalmologista, no seu gabinete de consulta tem possibilidade de fazer o que se chama de “varrimento” do segmento anterior, visualizando a córnea, a câmara anterior, a íris e o cristalino. Mas também se pode fazer o registo fotográfico e documentar com imagens o segmento posterior, com acesso virtual à retina e ao nervo ótico. A partir daqui, é possível prescrever toda uma panóplia de exames, que irão dar certezas ao diagnóstico.

Hoje e com o equipamento certo, é possível fotografar o fundo ocular a 200 graus, o que nos permite estudar a periferia da retina e detetar se existem rasgaduras, descolamentos de retina ou processos vasculares trombóticos e tudo de forma não invasiva. É ainda possível obter imagens com “cortes” de perfil da área macular da retina, a zona mais “nobre” e onde se forma toda a visão central, possibilitando visualizar buracos maculares ou membranas epirretinianas e, se necessário, antecipar futuras complicações, propondo intervenções cirúrgicas antes de o doente desenvolver distorção / perda de visão.

Para além deste rastreio obtido de forma “estática”, também é possível fazer estudos funcionais, com o auxílio da microperimetria e visumetria, sendo necessária a colaboração do doente para identificar luzes de diferente intensidade e símbolos na área macular. 

Valores abaixo do normal standardizado podem indicar patologia ocular ou até deteção de doenças neurológicas, como tumores intracranianos. Ainda poderão ser solicitados outros exames adicionais como campos visuais, angiografia fluoresceínica, topografia corneana, entre outros, em caso de suspeita de outras patologias não confirmadas com os exames de rotina.

Fotografia do segmento anterior, usando uma lâmpada de fenda que permite visualizar uma catarata
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