É um método terapêutico, aplica-se desde a I Guerra Mundial e expandiu-se à Europa de Leste a partir da década de 60. A sua prática também se generalizou em Portugal, apesar do vazio legal. Sem regulamentação é fácil cometer exageros, principalmente quando a base é um elemento da natureza, o ozono.

Recentemente, vi na televisão portuguesa um clínico dissertar sobre os bons ofícios do ozono, definindo-o como um sistema inovador, recentemente introduzido na prática médica e que substituía as técnicas agressivas na patologia discal lombar… Não disse, mas teria pensado, que seria um dos pioneiros na introdução deste método de tratamento revolucionário.

O ozono O3 é um gás presente na atmosfera com mais um átomo que o oxigénio livre. A sua aplicação terapêutica ter-se-ia iniciado em finais do século XIX, na esterilização de material cirúrgico e em clínicas naturopáticas, via transcutânea, em saunas de vapor em circuito fechado. Os alemães usaram-no durante a Primeira Grande Guerra para a cura de feridas no campo de batalha, via transcutânea e, a partir de 1960, foi usado em larga escala na Rússia e na Alemanha, transitando para os restantes países da Europa em 1990. Atualmente, pensa-se que a ozonoterapia será praticada em cerca de 50 países, com 26 000 praticantes e 40 associações nacionais e internacionais.

Atualmente, está a decorrer um estudo prospetivo randomizado internacional, comparando a microdiscectomia, a ozonoterapia e um placebo. São excluídos deste estudo, discos calcificados ou migrados, indicações para artrodese, cirurgia lombar prévia, outras patologias, alergia ao ozono e doentes a tomar anticoagulantes.

Apesar de já existirem muitos estudos clínicos, ainda não há investimento da indústria farmacêutica em investigação com ozono, porque esta não é uma droga, não existe em comprimidos e é barata. Lembre-se que 95% da investigação em medicina é baseada em drogas, logo, uma investigação em ozonoterapia não se aplica a este tipo de mercado.

Tratando-se de um método terapêutico, a ozonoterapia intradiscal deve ser aplicada por um médico com competência para elaborar uma história clínica, estabelecer um diagnóstico, considerar alternativas, avaliar os riscos deste ou daquele tratamento e tomar a melhor opção terapêutica.

Nos casos em que a dor lombar persiste, a incapacidade aumenta, o trabalho normal é difícil de manter e a estabilidade emocional desintegra-se, preconiza-se o tratamento de segunda linha, podendo a ozonoterapia intradiscal ser parte importante da solução, pela eficácia numa percentagem elevada de casos e por ser um método simples, rápido e com baixa incidência de complicações.

Com base nesta pretensa atividade, vários efeitos benéficos têm sido atribuídos ao ozono, mas de facto poucos países têm providenciado cobertura legal para o uso da ozonoterapia.

Raimundo Fernandes
(médico neurocirurgião)

 

Para ler o artigo na íntegra consulte a Revista Olhares

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