A história começa quando uma célula perde a capacidade de morrer de forma programada. A célula cresce e multiplica-se de forma descontrolada, acabando por dar origem a um adenoma, um pólipo precursor do cancro do intestino. O rastreio pode interromper esta história natural e reduzir a atual estatística de 9 a 10 mortes por cancro do intestino, por dia e em Portugal.

A responsabilidade é enorme e individual. O rastreio continua a ser um forte instrumento de prevenção do cancro do cólon e reto (a principal causa de morte por cancro em Portugal) e a prevenção primária um dos grandes desafios da comunidade científica. O aparecimento deste tipo de cancro está diretamente ligado com os estilos de vida adotados nos países desenvolvidos e, preveni-lo, passa por mudar hábitos alimentares. O consumo de gorduras animais e de alimentos calóricos deve diminuir, em favor de um aumento do consumo de frutas e vegetais.

A doença pode surgir e crescer silenciosamente durante anos e esta é uma história que começa a ser contada por uma única célula, quando o seu ciclo de vida é alterado, perdendo a capacidade de morrer de forma programada. Ao invés de morrer, a célula cresce e multiplica-se de forma descontrolada, acabando por dar origem a adenomas, ou seja, os pólipos precursores do cancro do intestino. Nem todos os adenomas acabam por dar origem a um cancro do intestino, mas sabe-se hoje que mais de 90% dos casos de cancro do intestino têm origem nos adenomas. O risco está na idade e basta ter mais de 50 anos para pertencer ao grupo que dá origem a 70% dos casos de cancro do intestino. Os fatores de risco aumentam se existir um familiar direto com cancro ou adenomas do intestino ou se tiver uma doença inflamatória crónica do intestino.

A Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva alerta para os dados estatísticos, sublinhando que, todos os dias e no nosso país, morrem 9 a 10 pessoas com cancro do intestino e defende que o rastreio é a única forma de reduzir esta mortalidade, mas também de reduzir a frequência de cancro do intestino. Um rastreio que tem na colonoscopia a solução para, de forma definitiva, prevenir e diagnosticar este tipo de cancro, sublinhando que este é o único método que permite uma observação apropriada do intestino, mas também realizar biopsias e remover os pólipos (polipectomia) que poderão progredir, mais tarde, para cancro do intestino.

Para quebrar este ciclo criado a partir de uma única célula alterada, os gastrenterologistas recomendam vigilância e explicam que existem duas opções para o rastreio do cancro do cólon e reto. Uma primeira opção passa pela pesquisa de sangue nas fezes. Contudo, os gastrenterologistas sublinham que este teste não é o ideal para a identificação dos pólipos dado que, estes, nem sempre sangram, podendo passar completamente despercebidos quando se faz a pesquisa de sangue nas fezes. Por outro lado, quando este teste é positivo, é obrigatório realizar uma colonoscopia.

Hoje em dia, o objectivo do rastreio do cancro do intestino não é apenas encontrar a lesão maligna na fase inicial, como no rastreio do cancro da mama, mas sobretudo encontrar a lesão benigna, onde tudo começa e que poderá dar origem ao cancro se não for removida. É este objetivo que implica a observação do intestino e, aqui, a colonoscopia continua a ser o único exame que permite observar e, ao mesmo tempo, remover os pólipos, o que permite curar os doentes sem necessidade de qualquer intervenção cirúrgica. De sublinhar ainda que a colonoscopia virtual, que também obriga a uma limpeza intestinal, não permite o diagnóstico de todas as lesões nem o seu tratamento.

Quando o “mal” se instala, o tratamento curativo é a cirurgia, uma vez que a quimioterapia e a radioterapia, quando isoladas, nunca são curativas, apenas se recorre a elas para garantir a eficácia da cirurgia, reduzir a recidiva do tumor, prolongar a sobrevivência e reduzir a mortalidade dos doentes. Mas a terapêutica curativa não pode cumprir essa missão quando o cancro já está numa fase instalada, depois de alguns anos de evolução de forma impercetível e silenciosa.

Exames endoscópicos

De acordo com todas as recomendações nacionais e internacionais, todos os indivíduos com mais de 50 anos devem previr a doença e fazer o rastreio do cancro do intestino recorrendo à colonoscopia.

Está disponível no Centro Cirúrgico de Coimbra a realização de exames de endoscopia digestiva, incluindo endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Os exames podem ser realizados sob anestesia sempre que tal seja solicitado. Quando detetado um pólipo no intestino, este poderá ser facilmente excisado durante a realização da colonoscopia.

Em todos os procedimentos endoscópicos existe apoio permanente de enfermagem, com monitorização dos parâmetros vitais (pulso, tensão arterial e saturação de oxigénio no sangue). A desinfeção dos endoscópios processa-se através de equipamento automático, que permite desinfetar os aparelhos num sistema fechado (de acordo com as recomendações das sociedades científicas internacionais e com a orientação 8/2012 da Direção Geral de Saúde). O relatório endoscópico é informatizado e contém registo fotográfico. Existe convenção com o Serviço Nacional de Saúde e com várias companhias de seguro.
Equipa responsável pela realização dos exames endoscópicos:

Pedro Narra Figueiredo
Médico Gastrenterologista

Nuno Medeiros
Médico Anestesiologista

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