É uma doença inflamatória e, como tal, exige tratamento. Negligenciar e esperar que passe não deve ser a solução para este problema de tão elevada prevalência. As sequelas podem ser evitadas

Como doença de pele, a acne tem um forte impacto no doente no plano psicológico, nas atividades diárias e nas relações sociais, afetando diretamente a autoimagem e autoestima. E, quando surge na adolescência, a estranheza e a revolta do efeito acne acabam por, cumulativamente, associar-se à fase de transformação do corpo. Decididamente, este não é o melhor momento para aparecerem as indesejadas e inestéticas borbulhas, porque esta é a fase em que as estratégias de afirmação pessoal implicam o visual.

O estudo sobre a relação entre acne exuberante, insucesso escolar, relacionamento afetivo e saúde mental ainda está por fazer, mas a experiência diz-nos que, não raros casos, poderá existir uma ligação entre todos estes ingredientes que acabam por marcar a vida de muitos adolescentes.

Contudo, não se pense que a acne é apenas um problema dos mais novos. Se 85% dos adolescentes podem ter esta doença, a prevalência no adulto – até aos 40 anos – pode ser da ordem dos 40%. Os fatores são vários e, num e noutro caso, a solução passa por um tratamento adequado. A solução base começa com uma boa limpeza da pele e controle de oleosidade. Mas note, uma pele oleosa não é sinónimo de pele hidratada. Lavar o rosto regularmente e remover a maquilhagem é um passo importante e fundamental, seja para adolescentes, seja para adultos.

As restantes fases do tratamento são muito individuais e devem ter em conta a cronicidade da doença, a evolução cicatricial, a repercussão psicossocial e a adesão ao tratamento.

Esta é uma doença inflamatória crónica e, também por isso, não faz sentido menosprezar e não valorizar a patologia. Impõe-se um tratamento. Seja recorrendo a fármacos, seja com a ajuda da tecnologia, como as fontes de laser ou de luz pulsada intensa, ou mesmo a cirurgia, no caso de existirem cicatrizes extensas.

Clinicamente, esta é uma doença marcadamente heterogénea e de diagnóstico não linear. A Sociedade Portuguesa de Dermatologia admite que as “subtilezas clínicas e evolutivas impõem de facto uma avaliação clínica detalhada, com recurso a uma anamnese adequada e a exames complementares de diagnóstico». Acrescente-se que o aparecimento e a cronicidade da doença também está dependente de fatores internos e externos, modulados por elementos hormonais e imunitários, podendo também ser apenas a expressão de uma doença endócrina ou a reação à toma de determinados medicamentos.

Face à definição heterogénea, o tratamento tem algumas condições indispensáveis que, se não forem cumpridas, podem comprometer o sucesso e eficácia. Segure-se que a solução a indicar seja individual, após uma análise das caraterísticas do doente e do estado da doença.

Esta é uma doença exclusiva do folículo sebáceo, que ocorre na face e tronco, zonas médio-torácicas e ombros. Carateriza-se pela presença de graus variados de comedões abertos e fechados (pontos negros ou brancos), pápulas, pústulas, nódulos e cicatrizes. O predomínio de uma ou outra lesão permite classificar a doença em formas comedónicas, pápulo-pustulosas e nódulo-quísticas. A dor, a dremangem de pus ou de sangue e a inflamação são a regra.

Evelina Ruas

(Médica, Dermatologista)

 

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