A questão pode ser explicada pela física: “a cada ação corresponde uma reação igual e oposta”, pela estatística, pelos modelos matemáticos e/ou por cenários que se tracem para o futuro. Mas, isso era antes. O ano de 2017 provou que não podemos continuar a adiar o tempo que o mundo tem

Hoje, sabemos que estamos prestes a chegar a um ponto sem retorno. Foi acrescentado um prazo: 3 anos. Depois de 2020, o caminho pode ser irreversível.

Claro que é fácil arranjar desculpas. Admite-se que uma pessoa sozinha não pode fazer nada, a culpa será dos políticos, esses senhores que governam a freguesia, a cidade, o país, os continentes e o mundo. Também se pode acrescentar que não há tempo para pensar nessas questões, que o trabalho, a família e o dia-a-dia são demasiado esgotantes para pensar no dia depois de amanhã. Claro que se podem inventar mil e uma desculpas para não dar prioridade a esta questão. Mas, hoje, é o dia em que se deve pensar como se não houvesse manhã.

Não é pessimismo, nem uma conspiração, é a realidade. Em Portugal, os incêndios e a seca extrema são apenas alguns dos efeitos que, uns mais que outros, já sentiram. Mas as consequências desses mesmos efeitos não se dissiparam e estão por aí a marcar presença e a provocarem danos, na sua, na minha e na saúde de todos nós. Os danos não se ficaram pelo quintal ou floresta ardida, nem pela casa reduzida a cinzas. Há prejuízos para todos nós, aqueles que respiram o mesmo ar, que vivem na mesma região. Não somos apenas vizinhos do flagelo.

Os efeitos de um incêndio florestal não são apenas económicos, os ecossistemas são, necessariamente, afetados e a saúde humana também, pelo fumo e pelos gases de combustão que são produzidos. Há condicionantes que podem agravar, como seja o tempo de exposição, a concentração de fumo que existe no ar, a quantidade de ar poluído inspirado e ainda o estado de saúde de quem fica exposto. O fumo não é de todo inócuo e sempre que há um incêndio florestal, para além das pequenas partículas (visíveis ou não), há componentes químicos que são libertados, como o dióxido de enxofre, o dióxido de carbono, o monóxido de carbono e, nalguns casos, o ácido cianídrico. O teatro de operações vivido este ano na região centro e em quase todo o país, deixou rasto e, para além da floresta negra e da perda de bens e vidas, há que acrescentar a existência de um deficit na qualidade de saúde.

A situação dos incêndios não é nova, apenas atingiu uma concentração (inesperada?) de fatores. No passado e sem as atualizações dos últimos incêndios deste verão, a Organização Mundial de Saúde já alertou que a exposição ao fumo proveniente de incêndios florestais tem “sérios impactos na saúde humana”, ilustrando esta afirmação com uma estimativa anual da ordem de 100 mil mortes associadas a esta exposição. O que fizemos este último verão? Onde estávamos, o que respirámos?

A este cenário, ainda se pode acrescentar outra realidade muito atual, a seca extrema, associada ou não a ondas de calor ou a temperaturas elevadas. As alterações climáticas já não são uma mera teoria inventada por uns quantos cientistas, nem podem ser justificadas por uma série de coincidências. Repare que os últimos 3 anos foram os mais quentes da História.

Os fenómenos meteorológicos sucedem-se e, uma vez mais, só pensamos no assunto quando afeta o nosso quintal. Os furacões continuam a passar ao largo da costa portuguesa e, enquanto isso acontecer, pensamos que estamos protegidos. Não é verdade. Somos todos vulneráveis.

As temperaturas elevadas e a seca conduzem a um aumento da mortalidade da população, mas também da morbilidade. Em Portugal, já há registos dos efeitos das ondas de calor de 2003 e 2006, que provocaram um aumento de mortalidade. Mas não só, há também uma morbilidade associada ao calor, em concreto de doenças infeciosas, renais, cardiovasculares, doenças de pele, lesões oculares e diminuição da atividade do sistema imunitário, além das implicações que tal possa ter ao nível da saúde mental.

O aquecimento global é isto, torna o ano todo muito parecido com o verão, junte-se o fenómeno dos incêndios florestais com dimensões nunca antes registadas, o agravamento dos períodos de seca, fenómenos meteorológicos intensos (seja com vento ou chuva), invernos cada vez mais curtos e verões muito longos, furacões cada vez mais poderosos e, por fim, mas não menos importante, o degelo de glaciares milenares. Mais cedo ou mais tarde, os efeitos de todos estes fenómenos vão entrar no nosso quintal e em nossa casa.

 

 

Novos usos e costumes

Pode começar por um e por todos. Interessa começar e Portugal já conseguiu estar 4 dias seguidos a depender exclusivamente de energia renováveis. É um princípio. Fomos procurar o que, individualmente, cada um de nós pode fazer. São inúmeras as atitudes que podem ajudar. Deixamos alguns exemplos, há muitos mais. Investigue.

 

  1. Poupar água, é essencial. Seja nos banhos (mais rápidos), seja a lavar os dentes, seja a lavar a louça ou a lavar o carro. Note que se retirar dois minutos ao tempo que demora no banho já está a poupar 10 litros de água.
  2. Poupar energia é outra indicação quase obrigatória. Pode começar por evitar as máquinas de secar roupa, desligar os computadores no final do dia, desligar outros aparelhos que não estão a ser usados, como a televisão, evitar deixar luzes acesas e usar lâmpadas mais económicas. Se utilizar aquecimento ou ar condicionado e baixar a temperatura apenas um grau, ninguém nota e já está a poupar.
  3. Ande mais a pé, faz bem e poupa combustíveis.
  4. Separe o lixo orgânico do que pode ser reciclado, como jornais, revistas, garrafas, vidros, plásticos e, note bem, as pilhas, as lâmpadas usadas e o velho eletrodoméstico não devem ter como destino o mesmo caixote de lixo que usa para despejar as cascas de batata ou restos de comida. O fim de linha deve ser separado.
  5. Plantar uma árvore é sempre um bom conselho, mas por falta de espaço, pode começar pelas plantas em vaso e ervas aromáticas.
  6. Evite o uso de talheres, pratos e copos de plástico. A França foi o primeiro país a proibir a venda destes produtos.
  7. Os sacos de plástico e as fraldas descartáveis são um problema ambiental. Evite o uso ou reduza o consumo. Uma fralda descartável pode demorar 400 anos a decompor-se, uma fralda biodegradável demora um ano e, claro, há sempre as de pano.
  8. Optar pelas faturas eletrónicas e evitar o envio pelo correio de extratos bancários e outra correspondência, também permite reduzir (e muito) o uso de papel.
  9. Evite o desperdício e não compre se não tiver mesmo necessidade. Se tiver produtos que já não usa (móveis, roupa e outros), antes de deitar fora, equacione se não pode dar a outra pessoa.
  10. Não nos atrevemos a sugerir que se torne vegetariano, mas se optar por fazer uma refeição vegetariana por semana, já está a contribuir para a redução dos custos energéticos relacionados com a produção de carne.
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