Se o saber não ocupa lugar, onde ficará a sabedoria? Existe mesmo? E onde a podemos encontrar? A Sabedoria é a razão, é o fruto, é a amálgama de trabalho e de ilusões aprendidas…

Aprendemos sempre mais do que sabemos, e aquilo a que chamamos sabedoria é exatamente o que sabemos e o que já esquecemos. Acumulamos e gerimos conclusões e desvalorizamos fundamentos.

A lógica é acumular conhecimento, ignorando muitas das razões do mesmo. O conhecimento também não é muito importante se não fermentar a imaginação.

O conhecimento é um ovo, rola para qualquer lado, sem imaginação nunca daria uma omelete ou um novo ser. Mas, tal como o ovo, o conhecimento é extremamente importante. Um e outro têm aplicações múltiplas, um cria um pintainho e, posteriormente, uma omelete ou um novo ser e poderá dar vida a um possível galinheiro. Por outro lado, o conhecimento pode ampliar o galinheiro e transformá-lo num aviário. Assim é a sabedoria. Começa com muito pouco, imagina o resto e cria ciência, constrói ilusões e mata a selva. O meio ideal onde viveu a galinha, onde nasceu o conhecimento e onde a imaginação emergiu de geração espontânea.

O homem só sairá do galinheiro que engendrou quando entender a selva e estabelecer com ela uma relação sábia. Aí sim, terá direito a usufruir da sabedoria.

Em Coimbra, encerraram a sabedoria numa só rua. Foi ali na Baixa que a Sabedoria começou. A história da Universidade de Coimbra começou a escrever-se ali, com a construção de 27 colégios. Hoje, a Rua da Sofia é Património Mundial – à boleia da Universidade e da Alta de Coimbra, – mas quase ninguém sabe. Este é mais um dos segredos que Coimbra teima em guardar.

António Travassos

(Médica, Oftalmologista)

 

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