Podemos viver sem ela, mas não é a mesma coisa. Iremos sempre precisar de T3 e T4, seja por produção natural, seja por reposição. As hormonas da tiroide influenciam quase tudo, desde o batimento cardíaco, memória, nível energético, humor, tensão arterial, funcionamento intestinal, pele, cabelo, unhas, força muscular…

Isto é química e também por isso um processo sujeito a reações, energia e equilíbrio. A tiroide existe para produzir os ingredientes certos, nas quantidades ideais, ou seja, para criar as hormonas T4 e T3, que nada têm de semelhante com as divisões de um qualquer apartamento, mas antes com Tiroxina (T4, porque possui 4 moléculas de iodo) e Triiodotironina (T3, porque é constituída por 3 moléculas de iodo).

A tiroide tem uma imensa responsabilidade e a importância vital dessa pequena glândula não deve ser de todo menosprezada. Na 16.ª semana de vida de um feto, a tiroide já funciona e produz as hormonas necessárias para o desenvolvimento futuro dessa criança. E este é um poder que se irá manter.

As hormonas T4 e T3 vão continuar a influenciar o normal funcionamento de vários mecanismos, agindo em tecidos e órgãos do corpo humano, estimulando ou destabilizando, porque são estas mesmas hormonas que, quando entram na circulação sanguínea, acabam por controlar e gerir inúmeras funções vitais. Elas influenciam o batimento cardíaco, a secreção gástrica, os órgãos reprodutores, o estado de saúde de cabelo, unhas e pele, o nível energético, a força muscular, a tensão arterial, o funcionamento intestinal, a memória, a função cerebral, a temperatura corporal, as emoções e o estado de humor, entre outras.

Qualquer problema na produção de T3 ou T4 terá necessariamente repercussões. A desordem acontece seja por deficit (hipotiroidismo), seja por excesso de produção de hormonas (hipertiroidismo), tão só porque se instala um desequilíbrio e todas as funções do organismo ficam mais lentas e/ou alteradas.

Desaconselha-se a não menosprezar a utilidade desta pequena glândula, localizada abaixo da maçã-de-adão e com menos de 5 centímetros de diâmetro, não só pelas suas capacidades de maestrina na construção do equilíbrio, mas também pelo seu poder na gestão dos estados emocionais.

Em linguagem de chackras, a tiroide será o chackra energético. Isto é, os praticantes de yoga saberão que, exatamente no mesmo local onde se encontra a tiroide, também se localiza o chackra que permite o alinhamento de todas as energias. Para quem não domina a linguagem dos chackras, poderemos defini-los como os recetores e emissores de energia, podendo acumular essa mesma energia, bem como distribui-la.

Chegámos ao ponto em que nos questionamos sobre quem não tem tiroide, como promover o desejado equilíbrio? Não será fácil, porque falta a subtileza dos ajustes. Isto é, a regulação do perfil metabólico conta com a ajuda da toma diária de um comprimido, que irá substituir o T4, mas os sensores nunca mais voltarão a ser os mesmos, razão porque os endocrinologistas têm vindo a alertar para um eventual excesso de tireoidectomias, realizadas muitas vezes desnecessariamente.

A toma de um comprimido diário e para toda a vida é a única solução que existe para recuperar as funções que a tiroide desempenhava. Contudo, também para estes casos há regras que ajudam a melhorar a tal subtileza que se quer promover. Sugerimos que a toma do comprimido seja feita logo pela manhã, 30 minutos antes do pequeno-almoço e sem outra medicação em simultâneo.

Mais uma vez, é a química que pode complicar ou descomplicar os efeitos desejados e esperados por esta mesma reposição hormonal. Aconselhamos ainda o exercício físico e o hábito de uma alimentação correta e equilibrada, mas estas duas últimas são uma prática a aplicar por toda a população e não apenas às pessoas que vivem sem tiroide.

Ana Patrícia Oliveira

(Médica, Endocrinologista)

 

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