Basta ter medo de cair, para que o isolamento e a deterioração funcional se agravem. A má visão acaba por ter aqui uma enorme responsabilidade e as alterações podem surgir na estrutura ótica ou por patologia associada à idade

Primeiro, fica a sensação que apenas se tropeçou. A repetição leva-nos a equacionar se foi mesmo um acaso, mas só depois de esbarrar sucessivas vezes é que se começa a pensar que, afinal, o móvel sempre esteve ali e a escada sempre teve aquela altura. Fomos nós que mudámos. A perceção sensorial alterou-se e não mudou sozinha. As alterações no sistema visual contribuíram. As cores já não são tão nítidas, a visão embaciou e/ou a visão periférica perdeu alcance. O processo de envelhecimento, apesar de normal, acaba por provocar alterações também na visão.

O passar dos anos tem este efeito. Envelhecemos, os ritmos diminuem e há alterações fisiológicas e funcionais que acabam por afetar funções e órgãos. O processo é normal, percebemos que já não corremos os mesmos 10 metros, como há 20 anos atrás, mas nem sempre compreendemos que não foi só o movimento físico que abrandou. A visão também perde qualidades. O campo visual de uma pessoa com 20 anos não é igual ao de outra pessoa com 50. A idade justifica uma redução do alcance visual na periferia, com uma diminuição de ângulo.

As cores também mudam, não só porque a catarata provoca esse embaciamento e falta de nitidez, mas também porque variadas patologias associadas à idade podem afetar os cones, as células que existem na retina e que são responsáveis pela visão a cores. Acrescente-se ainda a presbiopia, ou a dificuldade de ler ao perto, causada pelo envelhecimento do cristalino e que nos faz estender o braço para uma melhor focagem ao perto.

O avançar da idade também ajuda a tipificar determinadas patologias que acabam por ganhar maior prevalência nesta fase da vida. O glaucoma e a degeneração macular são duas situações que podem agravar seriamente e definitivamente a acuidade visual, levando mesmo a cegueira irreversível.

É esta perda de visão que vai acabar por afetar as rotinas, afetando seriamente a qualidade de vida. Não só porque pode estar na origem de uma queda, mas também por provocar o simples medo de cair. E basta este medo para entrar numa espiral de consequências que culminam numa deterioração funcional pouco recomendável.

A má visão pode ainda ter outras consequências e acaba por ser um fator que propicia erros na toma da medicação, inatividade física, isolamento social e… depressão. A má visão ou tão só a visão não corrigida acaba por ser uma das principais causas de incapacidade de quem envelhece.

 

 

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