Além das cores de outono que marcam o mês de outubro, o facto de se tratar do mês do cancro da mama dá-nos uma razão para celebrar e para refletir.

O cancro da mama continua a ocupar um lugar de destaque na população feminina e existem, neste momento, vários milhões de sobreviventes em todo o mundo, incluindo mulheres ainda em tratamento e mulheres que completaram todo o tratamento há dezenas de anos.

As taxas de sobrevivência continuam a aumentar devido ao desenvolvimento de novas e mais eficazes terapêuticas e, particularmente, à implementação de programas de rastreio de base populacional mas, também, à aplicação de rastreios individualizados.

A educação para a saúde, a informação especializada e dirigida e a acessibilidade aos cuidados de saúde adequados têm contribuído em larga escala para melhorar o panorama do cancro da mama. O conhecimento da doença e dos sinais de alarme, o acesso ao diagnóstico precoce, tratamentos adequados e o recurso, sempre que indicado ou desejado, a uma segunda opinião, tornaram esta doença menos assustadora para quem a vai enfrentar.

Para que a informação seja mais rica e traga maior esperança a quem nasceu mulher, trazemos 31 factos, um por cada dia do mês do cancro da mama.

 

1. O cancro da mama é o cancro com a maior incidência no sexo feminino em todo o mundo.

2. O cancro da mama é a segunda causa de morte por cancro nas mulheres, a seguir ao cancro do pulmão.

3. O principal fator de risco para cancro da mama é, simplesmente, nascer mulher. Apesar do cancro da mama poder ocorrer em homens, a doença é 100 vezes mais comum nas mulheres.

4. Uma mulher em cada oito será diagnosticada com cancro da mama ao longo da vida, particularmente nos países mais desenvolvidos, com maior esperança de vida.

5. A maioria das mulheres com cancro da mama (cerca de 8 em cada 10) não tem história familiar da doença.

6. As mulheres com cancro da mama na família têm um risco mais elevado. O risco de cancro da mama duplica se existir pelo menos uma familiar em 1º grau (mãe, irmã ou filha) com esta doença.

7. Outro fator de risco da maior importância para o cancro da mama é, simplesmente, envelhecer. À medida que a idade avança, o risco de cancro da mama aumenta e a maioria dos cancros da mama surgem aos 55 anos ou depois dessa idade.

8. Nos anos 70 o risco de cancro da mama ao longo da vida era de 1 para 11 mulheres; hoje é de 1 para 8 mulheres. A boa notícia é que isto se deve, em parte, à maior esperança de vida; no entanto, outros fatores estão igualmente associados tais como a utilização de hormonas, alterações no perfil reprodutivo e a crescente prevalência de obesidade.

9. Graças ao desenvolvimento de novos e mais eficazes tratamentos e à implementação de rastreios com diagnóstico mais precoce da doença, a taxa de sobrevivência global aos 5 anos é atualmente de cerca de 90%.

10. Apenas 5 a 10% dos cancros da mama estão relacionados com mutações genéticas hereditárias tais como as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2.

11. Tal como outras mutações, as mutações dos genes BRCA são raras na população geral; de facto, menos de 1% da população geral é portadora de mutação em BRCA.

12. Em média, cerca de 65% das mulheres que herdaram uma mutação BRCA1 e cerca de 45% das mulheres que herdaram uma mutação BRCA2 virão a sofrer de cancro da mama até à idade de 70 anos.

13. As mulheres portadoras de mutações em BRCA têm maior probabilidade de serem diagnosticadas com cancro da mama em idades mais jovens (pré-menopausa), assim como desenvolverem cancro em ambas as mamas.

14. Sabe-se hoje que determinadas lesões mamárias consideradas benignas têm um potencial de transformação maligna num espaço de tempo absolutamente indeterminado e não previsível.

15. As mamas densas, com maior percentagem de tecido glandular e de fibrose, têm maior probabilidade de apresentarem cancros da mama não detetados em mamografia de rotina nos estádios mais iniciais, exigindo outras abordagens na prevenção.

16. As mulheres com maior número de ciclos menstruais ao longo da vida devida à idade muito precoce da primeira menstruação (antes dos 12 anos) e/ou com menopausas tardias (após os 55 anos) têm um risco ligeiramente superior de vir a sofrer de cancro da mama por maior exposição, ao longo da vida, às hormonas endógenas estrogénios e progesterona.

17. As mulheres que utilizam terapêutica hormonal na menopausa por mais de 5 anos contendo determinados progestativos adquirem maior risco de cancro da mama.

18. A amamentação em idades jovens (antes dos 30 anos) parece reduzir o risco de cancro da mama, não só porque interrompe os ciclos menstruais por maior período de tempo, como também determina maior diferenciação estrutural da mama jovem, o que vai dificultar a transformação neoplásica.

19. O rastreio de base populacional instituído atualmente pode não ser suficiente. O médico deverá determinar o risco individual de cada mulher e é recomendável que a mulher tenha a oportunidade de iniciar um rastreio anual aos 40 anos de idade associando os exames indicados e necessários para a deteção precoce de cancro da mama.

20. Novas drogas têm sido implementadas no combate a determinados tipos de cancro da mama, particularmente as chamadas drogas “inteligentes”, dirigidas a determinadas moléculas, a hormonoterapia dirigida aos cancros dependentes de hormonas e, atualmente, as novas investigações em imunoterapia.

21. Em países mais desenvolvidos, com centros de excelência em cirurgia reconstrutiva, as mulheres mais jovens com cancro da mama estão a optar de forma crescente por mastectomia bilateral com reconstrução, mesmo quando lhes é diagnosticado um cancro em fase inicial apenas numa mama.

22. As portadoras de mutações em BRCA também têm optado por mastectomia bilateral com reconstrução antes do aparecimento do cancro da mama, como forma de prevenção primária.

23. Em países e sociedades menos desenvolvidas em que a literacia para a saúde é inferior, o cancro da mama é muitas vezes diagnosticado através da auto-palpação. No entanto, um tumor palpável pela própria doente apresenta já dimensões habitualmente preocupantes, exigindo tratamentos mais agressivos.

24. Determinados corrimentos mamilares podem ser uma forma de detetar cancro da mama em fase muito inicial ou, até, lesões pré-malignas que deverão ser tratadas antes de se transformarem em cancro.

25. O exercício físico reduz o risco de cancro da mama em todas as mulheres, independentemente do índice de massa corporal. Mesmo as mulheres magras virão a beneficiar desta proteção. Apesar da maior proteção ser conferida por 150 minutos semanais de exercício moderado, apenas 30 minutos por semana de exercício físico moderado a intenso será benéfico.

26. A ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo em pequena quantidade (“light consumers”) aumenta significativamente o risco de cancro da mama. Beber um copo de vinho, uma cerveja ou uma bebida branca por dia tem o mesmo risco que beber 7 bebidas num só dia por semana. Portanto, as bebidas alcoólicas deverão ser consumidas apenas em situações excecionais.

27. O tabaco é fator de risco para inúmeras doenças e, também, para o cancro da mama. Mulheres que fumaram em idades jovens continuam a ter maior risco de cancro da mama quando comparadas com as que nunca fumaram.

28. A ingestão de gorduras, fritos e carnes vermelhas, em qualquer idade, aumenta o risco de cancro da mama, assim como a obesidade quer nas mulheres pós-menopáusicas quer nas jovens adolescentes.

29. As sobreviventes de cancro da mama hormono-dependente têm um risco acrescido de osteoporose por supressão da ação protetora dos estrogénios através da hormonoterapia.

30. Estão aprovados novos tratamentos para a atrofia e secura vaginal e consequente desconforto e dor nas relações sexuais nas mulheres com cancro da mama que foram privadas de estrogénios em idades pré-menopáusicas.

31. Se for diagnosticada com cancro da mama não hesite em recorrer a especialista na matéria e pedir uma segunda opinião. Ficará mais tranquila e esta serenidade vai ajudar a ultrapassar os momentos menos bons e a vencer a doença.

 

Margarida Figueiredo Dias

(Médica, Ginecologista)

 

 

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