Deve usar os dois, se quiser pertencer aquele clube para quem férias são sinónimo de ficar moreno/a. Nunca opte só pelo bronzeador, um mês depois a cor desparece, mas ficam as rugas e os malefícios de um mau uso do sol

 

Sempre que, após uma exposição ao sol, a sua pele ficar vermelha, isso significa que não se protegeu devidamente e a vermelhidão que observa é nada mais que a dilatação dos vasos sanguíneos (eritema). Não é isso que queremos pois não?

Sabemos que férias é quase sempre sinónimo de excesso de sol, porque ninguém quer regressar ao trabalho com a mesma cor com que partiu. Não tem de ser assim, mas se optar por esta mudança no tom da pele, é preciso que tenha presente a noção de que bronzeador e protetor não são iguais. Os primeiros só aceleram a concentração de melania na epiderme das células e os segundos são os únicos que oferecem a proteção necessária contra as radiações. Nada impede que use os dois, mas nunca deve esquecer de colocar primeiro o protetor, o bronzeador será sempre uma opção e deve ser colocado só depois. O modo de atuação de um e outro são diferentes e, se compreendemos como funciona, depressa percebemos porque bronzeador e protetor não são de todo a mesma coisa.

O bronzeador não oferece qualquer tipo de proteção contra a radiação solar e é a sua composição química que desencadeia um processo de oxidação da pele, alterando a sua cor.

No protetor vulgar, são os minerais que fazem parte da sua constituição que atuam e criam o filtro solar que protege a pele dos raios ultravioletas, que não vemos, mas que são emanados pelo sol e que atuam nas camadas superficiais e profundas da pele, promovendo um envelhecimento precoce, manchas na pele e, dependendo da acumulação da quantidade de radiação e da predisposição genética, promovem o temido cancro da pele. Se a sua missão de férias é mesmo ficar moreno/a, deve colocar um protetor antes de usar o bronzeador.

Há ainda um outro tipo de protetor, químico e não mineral, criado para refletir a radiação solar, inibindo de todo o bronzeado. É este tipo de protetor que deve ser usado por pessoas de pele muito clara e sensível, como é a pele das crianças, mas também por pessoas ruivas e de olhos claros, sendo também sugerido aplicar em áreas que foram sujeitas a cirurgias muito recentemente ou em pessoas que recorreram a técnicas de peeling. Há um senão apenas, quando se recorre a este tipo de protetor a pele fica ligeiramente esbranquiçada, mas pelo menos fica com a certeza de que os raios solares não estão a atuar.

Uma vez decidido qual o produto que vai usar, ainda é necessário escolher qual o FPS (fator de proteção solar). As opções são diferentes de pessoa para pessoa, porque o tipo de pele é um fator importante. Ainda deve ter em conta que a exposição ao sol, no dia-a-dia, é diferente da exposição ao sol na praia, razão porque sugerimos sempre um fator de proteção mais elevado, tenha pele morena ou clara. Na praia, o fator de proteção nunca deve ser inferior a 20, mesmo que a pele seja morena, porque se a pele for clara, o fator ideal é sempre o 50+.

 

Como exemplo, se partirmos do princípio que tem uma pele branca e que, ao fim de 15 minutos ao sol, a sua pele ficar vermelha, se estiver a usar um protetor com um fator 20, só deverá ficar 100 minutos exposta ao sol, sem sofrer vermelhidão, isto porque o FPS 20 vai aumentar o tempo de proteção, mas a proteção não é eterna. Existe um período para a sua atuação. Percebe-se agora porque é recomendado não economizar na quantidade de protetor solar, começando por aplicar 30 minutos antes da exposição e repetir a aplicação várias vezes ao dia, preferencialmente de duas em duas horas, mas também e sempre que molhar a pele, seja com água do mar ou piscina, seja pela transpiração.

Claro que o sol também traz benefícios para a saúde em geral, começando pelo papel que desempenha na síntese da vitamina D ou tão só na sua ação antidepressiva mas, a exposição da pele deve ser sempre feita de forma correta e segura.

 

Evelina Ruas

(Médica, Dermatologista)

 

 

Fora do prazo

 

Utilizar o protetor solar que sobrou do ano passado não é uma boa solução, mesmo que esteja dentro do prazo de validade. Pode parecer estranho, mas uma vez aberto, a validade é de apenas 12 meses (12M), tal como está indicado na maioria das embalagens.

Como se este argumento não fosse, só por isso, suficientemente forte para nem pensar em aproveitar as sobras, acrescentamos ainda que os 12 meses de validade indicados pelo produtor são para produtos que estão acondicionados nas melhores condições. Não é isso que acontece normalmente.

O protetor solar vai no saco para todo o lado e isso é correto, mas o calor a que fica exposto na praia ou noutro sítio em que esteja sujeito a exposição solar, não proporcionam as condições ideias de armazenamento, pelo que a sua composição vai ser alterada. Logo, o protetor que guardou do ano passado já não vai cumprir a sua função e não irá proteger a sua pele. Ao fim de 15 dias de uso na praia o protetor solar decompõe-se. Não fica estragado, mas perde as suas capacidades protetoras e, quando muito, poderá ser usado como um creme hidratante.

A situação é um pouco idêntica à do iogurte que está dentro do prazo de validade, mas não ficou guardado no frigorífico, como é recomendado. Ao fim de algumas horas, esse mesmo iogurte alterou-se e não deve ser ingerido.

Sujeito a temperaturas elevadas, o protetor solar também não deve ser usado como protetor, porque as suas propriedades de proteção já não são as mesmas que tinha quando comprou o produto. Sugerimos simplesmente que não arrume o protetor solar no fim das férias. Este é um produto que deve ser usado o ano inteiro, pelo menos na pele que fica exposta.

Leave a reply