Não as vemos, mas elas andam por aí, em todo o lado. No ar, no subsolo, nos alimentos, na água, na pele e no nosso organismo. Aliás, sem elas, o planeta Terra não seria o que é hoje. São a mais antiga e a mais numerosa forma de vida. Durante muitos milhões de anos, só existia apenas isso, seres unicelulares. As plantas e os animais são os hóspedes mais recentes

O termo bactérias (no plural) faz sentido, porque são inúmeras e diferentes. É um reino à parte do nosso, mas onde pertencemos, apesar de não termos sido os primeiros a chegar. São seres unicelulares e por isso mesmo dividem-se muito rapidamente, tão rápido que, em algumas horas, podem produzir-se alguns milhões de bactérias. O tempo de vida de uma bactéria também não é igual, tudo depende do ambiente, da superfície onde está, da humidade e da temperatura. A vida curta pode ser de minutos, mas a vida longa pode ser de meses.

Certo ainda é que o ser humano não pode viver sem elas, tal como, outras vezes, são também uma verdadeira ameaça à vida humana. O streptococcus é apenas uma das bactérias que pertence aquele 1% que causa doenças, seja o tétano, a meningite meningocócica, a sífilis, a febre tifoide ou a doenças provocadas pelas salmonelas. Os restantes 99 % são úteis e imprescindíveis à vida humana e terrena. Não podemos viver sem elas. Parte de nós também é bactérias. Da próxima vez que explicar a uma criança que não deve mexer ali… “porque tem bactérias”… deve reformular o argumento, porque elas estão em todo o lado e nem sempre são “más”.

Estas simples criaturas tanto são benéficas à vida humana, seja no intestino para ajudar a digestão, seja, nos iogurtes ou no ambiente natural, onde decompõem a matéria morta, transformando-a, como também são potencialmente perigosas. As mãos humanas são um dos locais onde as bactérias podem viver durante muito tempo, mas não só. O dinheiro, os botões dos elevadores, as esponjas, os tapetes e, claro, a roupa de cama, são nichos de bactérias. Não é por acaso que as nossas avós tinham o hábito de arejar bem as casas e deixar os cobertores ao sol. O saber empírico dizia-lhes que tinham razão, porque a luz solar mata as bactérias quase instantaneamente, apenas porque não têm como se defender da radiação.

Para combater o grupo de bactérias indesejadas, pela ameaça que representam, o homem tem tentado criar defesas. A penicilina foi a primeira arma, seguiram-se outros antibióticos, mas o efeito nem sempre é o desejado. Porque nem todas as bactérias são sensíveis aos antibióticos, talvez porque este é o ser vivo mais velho do planeta e, por isso mesmo, estas mesmas bactérias são superespecialistas em mutações e adaptações. A bactéria é uma sobrevivente nata e a sua capacidade de adaptação é tal que, com o desenvolvimento dos antibióticos, o homem acabou por proporcionar a criação de novas bactérias, as super-resistentes.

Insistimos que lavar as mãos com sabão normal, continua a ser a melhor forma de proteção para o cidadão comum e, nesta época do ano, mais importante se torna, não tanto pela presença das bactérias, mas também porque esta é a época de atividade de um outro micro-organimo, o vírus.

O vírus da gripe será o mais conhecido e o mais temido, a avaliar pelo historial de estragos que tem feito. O caso da gripe espanhola, em 1918/1919 ilustra bem o potencial de perigosidade deste vírus (a influenza), tendo feito mais vítimas mortais do que as que foram contabilizadas nos quatros anos da I Grande Guerra.

Vírus e bactérias, apesar de diferentes em tamanho e modo de atuação, acabam por provocar sintomas idênticos, como tosse, febre, diarreia, espirros. Vale-nos o nosso sistema imunológico e a capacidade de cada um em fabricar linfócitos, os nossos especialistas naturais no combate às células contaminadas.

 

Mitos e verdades

Andar na rua no tempo frio não é de todo sinónimo de que vai apanhar uma gripe de seguida, muito pelo contrário. O maior risco de contágio da gripe não está no exterior, mas sim no oposto, principalmente, nos ambientes em que há pouca ventilação e muitas pessoas. Da próxima vez que for passear tenha isto mesmo em conta.

Estar exposto ao frio e apanhar ar, também não aumenta a probabilidade de ter uma gripe, porque a doença é provocada por um vírus e não pelo tempo que faz no exterior, mas sempre que estiver no exterior, principalmente durante o inverno deve ter em conta que os agasalhos são importantes, mas não pode esquecer que o corpo deve conseguir respirar e transpirar. Vestir roupa por camadas acaba por ser uma boa solução, sendo que a última camada deve proteger da chuva e/ou vento frio.

Acrescente-se ainda que é errada a ideia de que no inverno não precisamos de beber tanta água como no verão. O risco de desidratação é até maior no inverno, isto porque o frio acaba por promover uma diminuição da sensação de sede, pelo que temos de estar duplamente atentos e promover a ingestão de água, mesmo que não haja sede.

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