Andamos sempre entre o 8 e o 80 e nem sempre seguimos a cultura de prevenção do risco. Uns porque não fazem de todo exercício físico, outros porque o fazem até em excesso, sem perceberem se estão aptos para a intensidade do esforço ou até para a modalidade que escolheram. A dor ou a lesão podem ser o reverso desta medalha vencida pelo “deixa andar”

 

Que o desporto faz bem já todos sabem, mas nem sempre estamos sensibilizados para a gestão do risco. E se todos os atletas têm a obrigatoriedade de fazer uma avaliação médico-desportiva anual, os atletas de fim-de-semana, por norma já adultos, nem sempre estão sensibilizados para a importância deste exame, que pode detetar anomalias congénitas, mas também doenças suscetíveis de agravamento com o esforço. Quando, afinal, uma modalidade mais adequada ou tão só uma intensidade de esforço condicionada podem ser recomendações úteis e importantes para continuar a praticar desporto, sem risco e sem dor.

 

Os benefícios de uma prática regular de exercício físico nem são questionáveis, mas a forma como fazemos essa mesma prática ou a nossa aptidão para o desporto e atividade que escolhemos fazer já podem ser equacionadas. E isto é tão verdade para os atletas (crianças e adolescentes), como para os adultos. Mas, se os primeiros estão mais protegidos pela obrigatoriedade da realização do exame médico-desportivo, os segundos não estão sujeitos a isso mesmo.

A legislação portuguesa entende que a obrigatoriedade deve incidir apenas nos atletas de alto rendimento e todos os outros atletas federados, bem como os árbitros e juízes. E para essas situações, o Centro Cirúrgico de Coimbra disponibiliza os médicos especialistas, com formação em medicina desportiva, aptos para avaliar todos estes jovens que, anualmente, são obrigados à apresentação deste tipo de exame, exigido até para efeitos de seguro desportivo.

Para estes atletas o exame médico-desportivo é, na maioria das vezes, uma oportunidade para detetar potenciais situações de doença que podem ser agravadas pelo esforço físico, mas também situações que possam ser corrigidas (como algumas dismetrias). O exame cardio-respiratório não é a única avaliação importante, apesar de, por vezes, os pais dos atletas colocarem apenas neste item a máxima importância, pelo receio e risco de morte súbita. Há outros indicadores a ter em conta, que podem condicionar o desempenho e o futuro do atleta e é a todos esses indicadores que o exame médico-desportivo deve responder.

O protocolo estabelecido para este grupo de desportistas está legislado e o exame médico-desportivo está muito para lá de uma conclusão de apto ou não apto. Razão porque, entendemos que a formação em Medicina Desportiva é uma mais-valia importante para este ato médico, que é a avaliação de um atleta ou de um desportista de fim-de-semana.

No caso português, a avaliação da atividade física e desportiva realizada fora do âmbito das federações ou do desporto de alto rendimento fica ao critério de cada um. O exame médico-desportivo não é obrigatório, mas admitimos e recomendamos uma avaliação regular. A carga ou intensidade dos treinos num qualquer ginásio, as provas de ciclismo ao fim-de-semana ou o “vício” de completar trilhos pedestres podem representar um esforço desadequado para a pessoa X, isto para além dos casos especiais que devem ter um acompanhamento do esforço físico, como os diabéticos, hipertensos ou os doentes com problemas coronários. Num e noutro caso, a intensidade do esforço é sempre importante e poderá ter de ser ajustada, mas a própria modalidade também, por não ser a mais adequada, razão porque após os 35 anos a avaliação médico-desportiva deve ser muito mais pormenorizada.

 

O ECG, as análises de sangue e urina, o RX, a história clínica (antecedentes pessoais, familiares e desportivos), mas também os vários tipos de exames, como biométrico, oftalmológico, ectoscópico, cárdio-respiratório, de otorrino e do abdómen são os percursos prescritos para a base de um exame médico-desportivo, num atleta ou para um praticante de fim-de-semana. A intensidade do treino e os achados podem justificar a realização de exames mais pormenorizados.

 

Paulo Queiroz, clínico geral, com formação em Medicina Desportiva é o responsável pelos exames médico-desportivos no Centro Cirúrgico de Coimbra.

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