A ansiedade é uma sensação de apreensão, desagradável, com manifestações físicas; e, quando patológica, faz parar a vida de muita gente. Pára a sua vida também?

A ansiedade pode ser normal quando é experienciada de forma intermitente e apenas em certas situações, como no primeiro dia de escola, no dia do casamento ou na mudança de emprego. As manifestações físicas incluem dor no peito, palpitações, tremor, suor, fadiga, cefaleia, indigestão ou aperto na garganta; sintomas e sinais que surgem devido à ativação do sistema nervoso autónomo.

A ansiedade é considerada como algo benéfico, porque nos prepara para a ação. Por exemplo, a ansiedade nos dias anteriores a um exame faz-nos estudar de forma árdua. Por outro lado, faz-nos ficar alerta se, por exemplo, estivermos sozinhos, à noite, num parque de estacionamento, para que tenhamos cuidado com o que nos rodeia.

A ansiedade pode ser um problema quando se mantém de forma crónica, irracional e interfere no funcionamento diário do indivíduo. Em Portugal, as perturbações de ansiedade atingem 16,5% da população, sendo considerada a doença psiquiátrica mais prevalente, segundo um estudo publicado em Abril de 2018.

Dentro das perturbações de ansiedade podemos incluir a perturbação de pânico, de ansiedade generalizada, de ansiedade social e as fobias específicas. Na perturbação de pânico, a constelação de sintomas (dor no peito ou na região lombar, fadiga, cefaleia, palpitações, tremor, sudação, perda de sensibilidade em parte do corpo, aperto na garganta, e medo de perder o controlo) começa rapidamente, de forma espontânea, e termina cerca de 20-30 minutos depois. Na ansiedade generalizada verifica-se uma excessiva preocupação com pequenos problemas do dia-a-dia, acompanhada de tensão muscular. Na fobia social, os sintomas (rubor facial, tremor e boca seca) ocorrem em situações sociais particulares, com o indivíduo a sentir um desejo intenso de escapar do local, e a recear a exposição ou o embaraço perante os outros. Na ansiedade específica verifica-se um medo excessivo na presença de um objeto ou situação, por exemplo: o medo de ver sangue, de agulhas, de aranhas, de abelhas ou de alturas.

Só 1 em cada 10 doentes recebe o tratamento correto para a perturbação de ansiedade.

Vários fatores contribuem para a não procura de tratamento especializado: em muitos casos o próprio individuo não reconhece que tem a doença, tem dificuldade em aceder aos cuidados de saúde, ou aponta o custo elevado do tratamento e o estigma associado à doença psiquiátrica.

O tratamento deve incluir uma intervenção psicológica estruturada e, por vezes, a toma de psicofármacos durante cerca de 12 meses. Desta forma, o tratamento evita que a doença se torne crónica e diminui a probabilidade do aparecimento de outra doença comórbida, como a depressão ou o abuso de álcool.

Sofia Morais

(Médica, Psiquiatra)

 

 

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