Preenche o interior do olho humano e existe para proporcionar um efeito de amortecedor. Numa vitrectomia, é este gel, viscoso e transparente que se remove. Há uma troca de humores. O humor aquoso tomará o lugar do humor vítreo

Existem várias explicações para a necessidade de remover o humor vítreo e um cirurgião de retina experiente sabe que tem de ir ao foco do problema para obter os melhores resultados e isso passa por seguir o caminho mais direto, atuando onde é necessário para repor a normalidade.

É este tipo de opção cirúrgica que justifica a remoção do vítreo, uma substância gelatinosa e viscosa que ocupa quase 2/3 do globo ocular e que se localiza entre o cristalino e a retina. A vitrectomia é o primeiro passo e o vítreo será removido por corte e aspiração, em simultâneo. Uma vez realizada a vitrectomia, o cirurgião está agora na localização exata para executar a sua ação reparadora na retina, seja porque esta descolou, seja porque surgiram proliferações fibrovasculares, que estão a comprometer a arquitetura da interface vítreo-retiniana ou a alterar a necessária transparência, não permitindo a melhor visão, ou porque é necessário eliminar uma membrana epirretiniana que teima em deformar a mácula.

Por si só, o vítreo também sofre um processo de envelhecimento e as suas particularidades alteram-se. A substância gelatinosa e viscosa começa a ficar liquefeita, perde as suas características originais e pode acabar por se desorganizar, dando lugar a um descolamento posterior do vítreo. A aparição de sombras móveis, as chamadas “moscas volantes”, de tamanho e formato variados ou o aparecimento de alguns flashes no campo visual periférico, são indicadores da existência de um provável descolamento do vítreo, situação que, por si só, deve justificar a observação por um médico oftalmologista.

Sempre que o cirurgião opta pela remoção do vítreo, em sua substituição é colocada uma solução líquida, com uma composição muito idêntica à do humor aquoso, basicamente composta por água e alguns sais minerais. A substituição é temporária, uma vez que esta solução balanceada desaparece ao fim de 8 a 10 horas, o tempo necessário para que o olho humano produza a quantidade necessária de humor aquoso, essencial e indispensável para manter a pressão e sustentação da retina.

São várias as situações que podem justificar a necessidade de remover o vítreo e a estas ainda se pode juntar a consequente remoção do cristalino, o que se denomina por cirurgia combinada. A prática cirúrgica já demonstrou que, nos casos em o vítreo é removido, existe uma probabilidade elevada de desenvolver catarata ou edema da mácula. É por esta razão que o cirurgião de retina opta por uma cirurgia combinada e que passa pela remoção do vítreo e do cristalino, no mesmo acto cirúrgico.

Em alternativa à remoção do vítreo, existe a chamada técnica clássica mas, neste caso, o cirurgião de retina ficará sempre com uma atuação muito limitada e com resultados provavelmente menos seguros. A técnica clássica é menos agressiva, mas também é indireta, uma vez que os gestos cirúrgicos apenas contornam o globo ocular, sem nunca entrar no seu interior, mas pode ser usada em alguns casos específicos, particularmente em doentes mais jovens, nos quais é necessário preservar a integridade do cristalino. No entanto, esta opção cirúrgica estará sempre condicionada pela complexidade do caso clínico e pela experiência do cirurgião.

 

 

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