São as proteínas que determinam a morte dos neurónios. Consequentemente, o funcionamento do cérebro altera-se, lesando a região que controla a memória, o pensamento abstrato, a capacidade de julgamento, o comportamento, o movimento e a linguagem

A morte dos neurónios é a principal alteração e uma característica da Doença de Alzheimer. À medida que estas células cerebrais morrem, surgem as tranças neuro fibrilares e as placas senis que impedem a comunicação e a conexão entre células. O funcionamento altera-se.

A memória, a atenção, a concentração, a linguagem e o pensamento deixam de ser o que eram. Há alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa. O dia-a-dia deixa de ser comum e haverá sempre necessidade de um acompanhante.

A investigação da sua fisiopatologia, o que envolve as perturbações celulares, mecanismos biológicos e alterações moleculares que estarão na sua origem, têm tido progressos importantes, sendo reconhecida como uma das vertentes científicas que mais tem contribuído para o conhecimento do cérebro e das suas afeções.

As alterações cerebrais típicas da doença, descritas por Alzheimer em 1907, são a morte de neurónios em regiões estratégicas do córtex, nas áreas que se relacionam com a memória e com outras funções intelectuais, em associação com dois marcadores de lesão celular – as tranças neurofibrilares e as placas senis. As tranças neurofibrilhares são agregados intracelulares da proteína tau, enquanto as placas senis são estruturas extracelulares que contêm depósitos da proteína β-amilóide.

Individualmente, os agregados de cada uma destas proteínas estão presentes noutras doenças neurodegenerativas, no entanto, na Doença de Alzheimer, existem sempre em associação. Assim, uma teoria integrativa da sua fisiopatologia terá que explicar como se relacionam patologicamente estas proteínas e como (em conjunto) determinam a morte dos neurónios que constituem os circuitos cognitivos.

A proteína β-amilóide parece ser suficiente para causar doença nas formas familiares precoces (hereditárias e com transmissão a 50% dos descendentes), bastante raras, com início quase sempre antes dos 50 anos. Nestes casos existem mutações (erros genéticos) em vários genes, o que condiciona um aumento de produção da β-amilóide e a uma degenerescência neuronal secundária. Este mecanismo explica também o desenvolvimento precoce de demência nos portadores de trisomia 21 (S. de Down). Por outro lado, nas formas esporádicas tardias – as mais frequentes -, a doença parece ser mais heterogénea, associando provavelmente fatores genéticos e ambientais, sendo a idade o grande fator de risco. Os mecanismos biológicos envolvidos parecem ser comuns ao envelhecimento fisiológico e alguns autores defendem que a Doença de Alzheimer, pelo menos na sua forma tardia, poderá ser uma inevitabilidade do envelhecimento cerebral.

Isabel Santana
(médica neurologista)

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